Com voto de Soraya, CPMI do INSS rejeita relatório que indiciava e pedia prisão de Lulinha
Senadora foi a única de MS a votar e foi contra o relatório final de Alfredo Gaspar (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
O relatório final da CPMI do INSS, que pedia o indiciamento e a prisão do empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e mais 216 pessoas, foi rejeitado por 19 a 12 votos na madrugada deste sábado (28). A senadora Soraya Thronicke (Podemos) votou contra o relatório do deputado federal Alfredo Gaspar (PL). Também não houve aprovação do relatório paralelo, que pedia o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A senadora Tereza Cristina (PP), que era suplente, e o deputado federal Beto Pereira (Republicanos), que passaram os último sete meses falando como integrante da comissão, não participaram da votação final.
Depois de sete meses de trabalho, a CPMI do INSS terminou sem relatório final. Logo após a apuração do resultado, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu pelo encerramento dos trabalhos da comissão sem a votação de um relatório alternativo, produzido pela base governista.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) apresentou uma questão de ordem para a apreciação do relatório alternativo. Viana não acatou o pedido e não indicou um relator para ler o texto da base governista.
Como ocorreu em outros momentos da CPMI, Viana citou um versículo da Bíblia para destacar a importância dos direitos dos órfãos e das viúvas. Afirmou que o dia de encerramento dos trabalhos da comissão foi uma demonstração de respeito aos aposentados e pensionistas. O senador elogiou a dedicação do relator.
“Esta investigação poderia ter ido além, mas não permitiram avançar como deveríamos. Saio daqui de cabeça erguida e com a sensação de dever cumprido. Estamos todos juntos porque a causa é maior que o medo”, afirmou.
A reunião começou pouco antes das 10h de sexta-feira (27) e terminou pouco depois da 1h da madrugada do sábado (28). Com cerca de 4 mil páginas, o texto do relator pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas.
Alfredo Gaspar explicou que os indiciamentos pedidos pela CPMI fundamentavam-se “na identificação de uma vasta e sofisticada estrutura criminosa voltada para fraudes sistêmicas contra aposentados e pensionistas, por meio da implementação de descontos associativos não autorizados e fraudulentos”. Ao fim de mais de oito horas de leitura do seu relatório, Gaspar defendeu o trabalho da comissão.
Na visão do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), quem pratica corrupção deve ser investigado, independentemente de questões políticas. Ele apontou “omissões” no relatório de Alfredo Gaspar e defendeu o relatório apresentado pela base governista.
O capítulo final do relatório de Alfredo Gaspar determinava o compartilhamento das provas colhidas com diversos órgãos: Supremo Tribunal Federal (STF), Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF), Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria-Geral da União (CGU), Receita Federal, Advocacia-Geral da União (AGU), Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para continuidade das investigações.
Tereza Cristina não participou de votação apesar de ter passado os últimos sete meses falando pela CPMI do INSS (Foto: Agência Senado)
Lulinha
O ponto controverso do relatório foi o pedido de prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, empresário conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, por ter deixado o Brasil com destino à Espanha, onde reside, o que a CPMI considerou como tentativa de fuga.
Segundo Gaspar, os nomes relacionados para indiciamento devem responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, estelionato majorado, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistemas de informação, fraude eletrônica, furto qualificado mediante fraude, advocacia administrativa, prevaricação, entre outros.
Entre os citados por Gaspar, estão:
- Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS;
- Maurício Camisotti, empresário, sócio do Careca do INSS;
- Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master (liquidado pelo BC);
- Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula;
- Ahmed Mohamad Oliveira (José Carlos Oliveira), ex-ministro do Trabalho e Previdência no governo Jair Bolsonaro;
- Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência do governo Lula;
- Gorete Pereira (MDB-CE), deputada federal;
- Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), ex-deputado federal;
- Weverton (PDT-MA), senador;
- Alessandro Antônio Stefanutto, ex‑presidente do INSS.
Relatório alternativo
O relatório alternativo apresentado por parlamentares da base governista pede o indiciamento de 130 pessoas, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja gestão é apontada como responsável pelas fraudes no sistema de descontos associativos em aposentadorias.
O documento sustenta que as fraudes se intensificaram durante o governo Bolsonaro, por meio de alterações normativas que removeram barreiras de controle. No texto, Bolsonaro é acusado de furto qualificado contra idoso, organização criminosa e improbidade administrativa.
O relatório também recomenda o indiciamento do ex-ministro do Trabalho e Previdência Onyx Lorenzoni, que admitiu ter recebido doação de dirigente de entidade apontada nas investigações, para sua campanha eleitoral; do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, ambos presos por suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao banco; e de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como operador central do esquema.
Também há um pedido de indiciamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pela ligação com Letícia Caetano dos Reis. Administradora do escritório de advocacia do senador, ela é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio do Careca do INSS.
Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que a inclusão do seu nome entre os pedidos de indiciamento é “uma tentativa desesperada de desviar a atenção e proteger Lula e seu filho”.
(com informações da Agência Senado)
Notícias relacionadas
Operação Espelho de Narciso: MPMS cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em Campo Grande
A ação integra investigação que apura crimes de perseguição, divulgação não autorizada de conteúdo íntimo e descumprimento de medidas protetivas de urgência
Aeronaves roubadas de Aeroclube de Aquidauana são encontradas na Bolívia após quase cinco anos.
Uma das aeronaves pertence ao cantor Almir Sater, enquanto as outras duas são de empresários de Aquidauana.Três aeronaves roubadas do Aeroclube de Aquidauana, em setembro...
TJMS mantém investigação da Operação Tromper e permite retomada de julgamento de Claudinho Serra
De acordo com a acusação, os fatos investigados teriam causado prejuízos milionários aos cofres públicos, com estimativa de ressarcimento de R$ 103,9 milhões. A 2ª Câmara...
MPMS deflagra Operação Omissionis e cumpre mandados na Prefeitura de Japorã
Ação do Gecoc apura irregularidades na criação e ocupação de cargo público no município O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de C...