Aeronaves roubadas de Aeroclube de Aquidauana são encontradas na Bolívia após quase cinco anos.
Uma das aeronaves pertence ao cantor Almir Sater, enquanto as outras duas são de empresários de Aquidauana.
Três aeronaves roubadas do Aeroclube de Aquidauana, em setembro de 2021, foram localizadas nesta quarta-feira (26) em um hangar no Aeródromo Mondaca, conhecido como La Cruceña, em Cotoca, no departamento de Santa Cruz, na Bolívia.
Foram encontrados um Bonanza V35B, de matrícula PT-ING, e dois Sky Lane, identificados pelas matrículas PT-KDI e PT-DST. Uma das aeronaves pertence ao cantor Almir Sater, enquanto as outras duas são de empresários de Aquidauana.
O local onde os aviões foram encontrados integra um complexo destinado à custódia judicial de aeronaves relacionadas a investigações de crimes de narcotráfico. A localização pode provocar novos avanços na investigação do roubo.
Segundo as apurações, há suspeitas de que integrantes bolivianos tenham participado da ação criminosa. Policiais civis do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) devem viajar à Bolívia para acompanhar o caso e buscar informações que possam esclarecer como as aeronaves chegaram ao país.
Roubo aconteceu em setembro de 2021
O crime ocorreu na madrugada de 6 de setembro de 2021. Na ocasião, cerca de 18 homens armados e encapuzados invadiram o Aeroclube de Aquidauana e renderam o vigia e os dois filhos dele, que estavam no local.
As vítimas foram amarradas próximas à grade do tanque de combustível. Enquanto alguns criminosos mantinham os moradores sob vigilância, outros abasteceram as três aeronaves e prepararam a fuga.
Na época, testemunhas relataram que alguns integrantes do grupo falavam com sotaque espanhol, levantando a suspeita de participação de estrangeiros. Os criminosos usaram luvas e entraram no hangar por uma área dos fundos, na região da Vila 40. Ferramentas utilizadas para cortar a cerca e invadir o local foram abandonadas.
Suspeita de ligação com o narcotráfico
Desde o início das investigações, a polícia trabalhava com a hipótese de que as aeronaves seriam utilizadas no transporte de drogas. Também havia suspeitas de envolvimento de organizações criminosas no planejamento da ação.
As investigações apontaram que os aviões poderiam ser levados para a Bolívia, o que levou a Força Aérea Brasileira (FAB) a emitir um alerta nacional após o roubo.
Um dos nomes identificados nas investigações foi Laudelino, conhecido como “Lino” e apontado como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele cumpre pena na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, e possui condenação que totaliza 95 anos, três meses e quatro dias de prisão.
No mês passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido da defesa para que Lino fosse transferido para o sistema prisional de Mato Grosso do Sul.
A localização das aeronaves na Bolívia deverá ser utilizada pelos investigadores para aprofundar as apurações e esclarecer a participação de outros envolvidos no roubo ocorrido em Aquidauana.
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