“Quando a dor do povo é silenciada pela música alta” em Mato Grosso do Sul.

Em um estado onde faltam remédios, onde pacientes aguardam até dois anos por uma cirurgia e onde famílias perdem entes queridos por falta de atendimento, é impossível não se entristecer ao ver o governo gastar R$ 450 mil por apenas uma hora de show na capital.

Esse valor, pago à cantora Luísa Sonza — talento inegável da música pop nacional — representa muito mais do que um contrato artístico. Representa a escolha do governo: o espetáculo em vez do hospital.

O último hospital construído em Campo Grande foi entregue em 1997, ainda na gestão de Pedro Pedrossian. De lá para cá, com o crescimento populacional e econômico do estado, esperava-se evolução — mas a única constante parece ser a manutenção precária e um sistema de saúde que desmorona enquanto as filas aumentam.

A nova temporada do projeto “MS Ao Vivo” leva artistas de renome ao Parque das Nações Indígenas com entrada gratuita, prometendo cultura e lazer à população. E sim, o estado precisa de cultura. A arte liberta, inspira, une. Mas quando hospitais estão lotados, quando a espera por um exame pode significar a diferença entre a vida e a morte, não há como celebrar de óculos escuros para não enxergar a dor do outro.

A população de Mato Grosso do Sul não quer escolher entre saúde e cultura. Quer dignidade. E dignidade começa quando os investimentos refletem as reais prioridades de um povo que sofre calado nas filas da saúde, enquanto a música toca alto demais para ouvir seus gritos.

R$ 1.252.000.00 em 2024.

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