Lady Gaga e a Eucaristia: será possível?

O post acima foi publicado na página oficial da cantora Lady Gaga, no Facebook.

Quando vi essa imagem circulando em minha timeline, me apressei em escrever um texto em meu próprio perfil, o qual transcrevo aqui — fazendo alguns acréscimos, corrigindo alguns erros e reescrevendo uns trechos:

Confesso: quando essa moça surgiu na mídia, com aqueles vestidos de bife e clipes quase pornográficos, pensei: “é só mais alguma doida, uma espécie de Madonna 2.0, fabricada sob medida, para essa geração Y e Z”.

Passou o tempo… e ela teve uma breve passagem pelo Brasil. Lembro-me de assistir uma reportagem no “Pânico na Band”, que consistia em colocar “o Impostor” em uma missão: se aproximar dela e apertar sua mão. Para isso, Daniel Zuckerman subiu algum morro no Rio de Janeiro, para onde haviam levado a “starlet”, então em turnê pelo país, e perseguiu-a durante toda uma manhã (ou tarde, sei lá).

Mas atenção: ali já vi algo diferente nela. Trajada em um vestido rodado de estampa quase infantil (o oposto daqueles figurinos exóticos ou bizarros com que ela costumava aparecer na mídia), cabelos levemente arroxeados, e um semblante espantosamente calmo e sereno; enfim, nada que eu via naquela matéria, lembrava – ainda que vagamente – aquela androgenia afetada e sensualmente artificial (ou seria: artificialmente sensual?) de seus vídeo-clipes.

Comecei a suspeitar que tudo aquilo que era mostrado em profusão nos sites, jornais e revistas, era apenas uma faceta daquele ser humano. Tinha alguma coisa “de bom” nela; certamente, um diamante escondido no meio daquela bijuteria cafona, brega (P.S.: nem preciso dizer o desapreço que nutria por Lady Gaga, àquela altura dos acontecimentos).

Passado mais algum tempo, fui tomado, de assalto, com a notícia de seu dueto com Tony Bennett. WTF? Como assim? Como aquela pessoa bizarra que cantava pop-dance-music, pudera se meter a cantar JAZZ? Ainda mais, com Mr. Bennett?

Pois bem: quebrei a cara. O album é incrível. Descobri a “Stefani Germanotta” que estava oculta, sob camadas e camadas de roupas, cabelo e maquiagem, milimetricamente definido por personal stylists, para chocar e “causar”. A “Stefani” cantora, precede — em beleza e talento — a Lady Gaga, fenômeno. E isso ficou claríssimo nos clássicos de jazz, regravados em dueto com Tony.

E eis que hoje¹  sou surpreendido por esta notícia: Lady Gaga, seria, pois, uma católica praticante da eucaristia?

Tudo indica que sim.  “Obrigado, Padre Duffel por sua bonita homilia como sempre“, se sentindo especialmente tocada, pelo trecho em que o Reverendo disse: “A Eucaristia não é um prêmio para o perfeito, mas o alimento que Deus nos dá“.

Enfim: estava muito errado sobre ela. O meu pré-conceito de agnóstico, me impediu de reconhecer o que ela tinha de cristão. Por isso, confesso meu erro, publicamente: fui um preconceituoso. E quebrei a cara.

O desafio do conviver é justamente este: evitar todo conceito apressado e baseado em premissas, mais das vezes, falsas ou incorretas.

A vida, decididamente, não é uma tautologia.

¹ O post foi originalmente escrito e publicado em 16/MAI/2016 às 21:30 horas.

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