O levantamento aponta que Mariana teria recebido cerca de R$ 72,3 mil de forma indevida, enquanto Couto teria sido beneficiado com aproximadamente R$ 77,5 mil.
Newton Couto, além de beneficiário dos pagamentos, era responsável pela elaboração das escalas médicas, o que teria contribuído para a ausência de controle adequado dos plantões, o que contribuiu para a ocorrência de irregularidades.
O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou a médica Mariana Camilo de Almeida Serra por suposto desvio de recursos públicos no Hospital Beneficente Elmíria Silvério Barbosa, localizado em Sidrolândia. A profissional é acusada de receber valores indevidos por plantões médicos com cargas horárias consideradas incompatíveis com a duração real dos dias.
De acordo com a ação civil pública protocolada pela promotora Bianka Mendes, Mariana teria recebido pagamentos por jornadas de até 36 horas em um único dia, apesar de o dia possuir apenas 24 horas. As inconsistências foram identificadas a partir da análise de registros administrativos e notas fiscais.
A denúncia também inclui o médico Newton Renato Ouriques Couto, ex-diretor do hospital, além das empresas MedMari Atividade de Serviços Médicos e WorkMed Medicina e Saúde Ocupacional. Segundo o Ministério Público, há indícios de que ambos receberam valores acima do devido, totalizando um prejuízo estimado em R$ 149,9 mil.
O levantamento aponta que Mariana teria recebido cerca de R$ 72,3 mil de forma indevida, enquanto Couto teria sido beneficiado com aproximadamente R$ 77,5 mil. Em um dos exemplos citados, a médica recebeu por um plantão diurno de 24 horas e, no mesmo dia, por um plantão noturno adicional de 12 horas, totalizando 36 horas registradas em apenas 24 horas corridas.
Ainda conforme a investigação, houve casos de jornadas consecutivas sem intervalo de descanso, com registros de até 48 horas seguidas de trabalho, mas pagamentos equivalentes a 72 horas. O Ministério Público aponta que tais dados indicam possível inserção de informações artificiais para justificar repasses superiores aos efetivamente devidos.
Outro ponto destacado é a diferença entre os valores pagos e os registrados nas notas fiscais. Em um dos meses analisados, o hospital pagou mais de R$ 51 mil à médica, enquanto a soma das notas fiscais correspondia a cerca de R$ 30 mil. Em outro período, o valor devido seria de aproximadamente R$ 19,6 mil, mas os repasses chegaram a ultrapassar R$ 100 mil.
A promotoria também ressaltou possível conflito de interesses, uma vez que Newton Couto, além de beneficiário dos pagamentos, era responsável pela elaboração das escalas médicas, o que teria contribuído para a ausência de controle adequado e para a ocorrência de irregularidades.
A ação foi encaminhada à Justiça, que irá analisar o caso. Os envolvidos terão direito à ampla defesa e ao contraditório. Caso as irregularidades sejam comprovadas, eles poderão ser condenados ao ressarcimento dos valores aos cofres do hospital, além de outras sanções previstas na legislação.







