A Vara Criminal de Sidrolândia (MS) proferiu sentença parcial em um dos maiores processos por crimes contra a administração pública já registrados no município. A decisão integra as investigações da Operação Tromper, que apura um esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e falsificação de documentos entre 2018 e 2023.
Segundo o Ministério Público, agentes públicos e empresários atuaram em conluio para direcionar contratos públicos por meio de empresas de fachada e documentos falsos, especialmente em certames como a Carta Convite nº 012/2018. A investigação revelou que orçamentos foram produzidos por uma única pessoa, inclusive com uso de arquivos de nomes irônicos como “Frescura.docx”, indicando o desprezo pela legalidade dos procedimentos.
Os contratos fraudados, que somam centenas de milhares de reais, envolviam serviços como poda de árvores e dedetização, muitas vezes executados por terceiros sem vínculo formal com a administração. A Justiça determinou o ressarcimento ao erário, a perda de funções públicas e a suspensão dos direitos políticos dos réus.
Condenados:
Ueverton da Silva Macedo – 37 anos, 10 meses e 8 dias (regime fechado). Apontado como líder do esquema, controlava empresas fictícias e coordenava os contratos fraudulentos.
Ricardo José Rocamora Alves – 28 anos, 3 meses e 20 dias (regime fechado). Participava da simulação de concorrência e do repasse de propinas.
Roberto da Conceição Valenzuela – 11 anos e 6 meses (regime fechado). Produzia orçamentos falsos.
Evertom Luiz de Souza Luscero – 15 anos e 9 meses (regime fechado). Reincidente em fraudes a licitações.
César Augusto dos Santos Bertoldo – 5 anos, 6 meses e 20 dias (regime semiaberto). Corrupção passiva continuada e peculato.
Flávio Trajano Aquino dos Santos – 8 anos e 4 meses (regime fechado). Atuava na captação de empresas de fachada.
Odinei Romeiro de Oliveira – 4 anos, 9 meses e 18 dias (regime semiaberto). Usou sua empresa para acobertar serviços não realizados.
Absolvido:
Carlos Alessandro da Silva (Lê) – Absolvido por insuficiência de provas.
Colaboradores premiados (processo suspenso):
Tiago Basso da Silva e Milton Matheus Paiva Matos firmaram acordos de colaboração premiada. Seus processos foram desmembrados.
A Justiça também condenou Ueverton, Ricardo e César ao ressarcimento solidário de R$ 26,7 mil em um dos contratos, além de Ueverton e Ricardo pagarem outros R$ 323,2 mil corrigidos, referentes a fraudes adicionais.
A Operação Tromper, iniciada em 2021 após denúncias ao Ministério Público, teve apoio do GECOC e envolveu quebra de sigilos, apreensões e prisões. A instrução foi concluída em 2024, e as condenações ocorreram em agosto de 2025, somando mais de 90 anos de prisão aos réus.
Outros desdobramentos seguem em curso, incluindo investigações sobre o ex-secretário de Fazenda e genro da ex-prefeita Vanda Camilo, Cláudio Serra, acusado de manter o esquema de manipulação de contratos e cobrança de propina na Prefeitura.







